Na nossa vida ou em muitos
momentos dela, o outro é um ser inventado. Quando ele não é o que pensamos,
quando não faz o que esperamos, ele simplesmente não é. Não está lá.
Invisível como a repetição das nossas expectativas, o outro é apenas uma
falta. Uma falta de nós mesmos. Mas então aceitamos a solidão como dimensão real
do que somos, e de como nos vemos, então a solidão esvai-se, por não haver mais
razão de existir. E a falta já não faz mais falta.
E então a falta é a fala,
é a palavra, é o facto, é a flor... e estamos livres para observar que existe
alguém na poltrona ao lado. O outro. Um outro que nos enxerga. Um outro que nos
olha na nossa poltrona e que não quer ver o veludo vermelho, por mais veludo e
por mais vermelho que seja, porque está muito mais interessado em ver a gente.
O outro que entende a amplitude da companhia. Que entende a diversidade do
amor. E que sabe que a poltrona estará sempre vazia enquanto não quisermos que
alguém se sente ali. Alguém mesmo. Um outro com nós.
Não é o amor a falha. A
falha somos nós e o que inventamos sobre o amor. E ele olha-nos docemente e
sorri tristemente das nossas dores, sem muito poder fazer. A não ser esperar que
não esperemos nada mais dele. A não ser esperar que esperemos por ele. A não ser
esperar que o reconheçamos quando ele chegue e que o aceitemos como ele
é!!!
Bea

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