segunda-feira, 14 de julho de 2014





Na nossa vida ou em muitos momentos dela, o outro é um ser inventado. Quando ele não é o que pensamos, quando não faz o que esperamos, ele simplesmente não é. Não está lá. 

Invisível como a repetição das nossas expectativas, o outro é apenas uma falta. Uma falta de nós mesmos. Mas então aceitamos a solidão como dimensão real do que somos, e de como nos vemos, então a solidão esvai-se, por não haver mais razão de existir. E a falta já não faz mais falta. 
E então a falta é a fala, é a palavra, é o facto, é a flor... e estamos livres para observar que existe alguém na poltrona ao lado. O outro. Um outro que nos enxerga. Um outro que nos olha na nossa poltrona e que não quer ver o veludo vermelho, por mais veludo e por mais vermelho que seja, porque está muito mais interessado em ver a gente. 
O outro que entende a amplitude da companhia. Que entende a diversidade do amor. E que sabe que a poltrona estará sempre vazia enquanto não quisermos que alguém se sente ali. Alguém mesmo. Um outro com nós. 
Não é o amor a falha. A falha somos nós e o que inventamos sobre o amor. E ele olha-nos docemente e sorri tristemente das nossas dores, sem muito poder fazer. A não ser esperar que não esperemos nada mais dele. A não ser esperar que esperemos por ele. A não ser esperar que o reconheçamos quando ele chegue e que o aceitemos como ele é!!!

Bea

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