sábado, 30 de janeiro de 2010

Noite de estrelas e silêncios!...


Mergulho as mão no mar, como se quisesse aprisioná-lo entre meus dedos, como se desejasse fazer dele teu corpo, moldá-lo, senti-lo como se fosses tu.

Escrevo sobre a areia molhada, os versos que te não disse, sentidos reprimidos pela frieza do quotidiano. As ondas quebram as frases, apagam os desejos e arrefecem o corpo, molhado, arrastando para o fundo do oceano as esperanças escritas.

Abandono-me nesta praia deserta, esperando que a maré leve o corpo, pois a alma há muito partiu, quiçá me encontres ainda com a réstia de vida que faz bater o coração e alimentar a mente, mas, o espírito partiu, para uma viagem através dos desertos da eternidade, vales de sombras, florestas geladas, numa travessia da minha própria solidão.

Quando a alma se abre, como vela de um barco à deriva, recolhe em si todas as brisas, todos os ventos, enchendo-se, mas, a cada tempestade o pano cede às forças da natureza rasgando-se em pedaços, perde-se o rumo e o navio perde-se na solidão do vazio.

A Noite, traz com ela as estrelas e o silêncio que lhe permitem adormecer embalado pela suavidade das ondas.

Quem sabe um dia, se descubra a alma deste corpo, que jaz inerte sobre a areia da praia.

Quem sabe um dia alguém seja capaz de lhe devolver a vida perdida...
Quem sabe um dia!...

2 comentários:

Anónimo disse...

Bea Querida..
Mais uma vez, uma subtil forma, de transpor para palavras sentimentos tão profundos. Devo dizer que com ele, certas memórias minhas ressurgiram. Na medida, de que são boas recordações. Agradeço-te por isso, por momentos esqueci-me que tais sentimentos fossem possíveis mas num ser "especial" como tu é uma realidade!
Rogério

Anónimo disse...

Teces teias lindas, mantos de verdadeiro linho bordado pela tua delicadeza e pelo teu lindo coração. Um dia o sonho deixará de o ser e poderás viver, mas alimenta-o, pois é ele que comanda a vida, a vontade de lutar até o ter.:)
aqui te deixo o beijo mais doce que haja.
Humberto