
Vi-te...
Cruzei o meu olhar com o teu, entre o vazio de ti e o nada de mim.
Penso que me viste, porque o teu olhar me disse mil palavras de vento escutadas em marés de silêncio.
Na cegueira suspensa no tempo a conversa do olhar durou horas, como se fossem os últimos minutos de vida de um diálogo distorcido subtilmente mascarado de monólogo.
Olhaste-me intrigado, quando indiscretamente espreitei a janela da tua alma.
Fugiste de ti mesmo, disfarçaste o olhar, turvando e agitando as águas transparentes onde eu vi o teu reflexo no meu. Em apneia, mergulhei de olhos abertos nos teus, toquei o fundo feliz desse lago disfarçado de outro submerso em si mesmo.
Pairei em cada pestanejar teu, e apreciei a cristalina leveza da tua iris indefesa.
Vi-te como és em mim, quando me vi como sou em ti.
Penso que me viste como eu te vi... Sim, vimo-nos......ainda sinto o cheiro do beijo que me deste, quando o teu olhar me tocou os lábios...levemente!...
