domingo, 15 de agosto de 2010

SERÁ?....


Será que sabes, meu amor, que em mim algo amanheceu, que entre a tarde e a noite, não há sol que se ponha, não há mais escuro que vingue, e que dentro dos meus olhos o dia não envelhece?

Será que adivinhas, amado meu, que enquanto dormes, meu sonho desnovela a noite, e sua camada de estrelas para cobrir teu sono... e fazer mais leve o tempo?

Será que ouves, meu amor, essa língua confusa que falam minha mão sobre teu peito, meus olhos fechados imersos no cheiro que tem a tua pele, meus dedos enredados em teus cabelos, essa língua que compõe, cada vez que te toco, uma nova música com uma nova harmonia por todo o teu corpo?

Será que entendes, amado meu, que habitei com meus medos os mais terríveis precipícios e que teu olhar me lança pontes que eu nunca soube que pudessem existir?

Será que sentes, meu amor, que entre tuas mãos, todas as minhas pétalas se abrem... e posso encontrar vivo o perfume da minha terra e de todos os meus rios?

Será que percebes, meu querido, o amor imenso que te entrego todos os dias, misturado às coisas mais minúsculas, aos momentos mais pequenos, a cada gesto imperceptível?....
Será?....

quinta-feira, 10 de junho de 2010

3º ANO - TUA PARTIDA


Há dias assim....
Tem dias que são constantes, tão cheios de ternura, que tentam voar em misteriosos planaltos de asas cintilantes, e não é que conseguem!?
Basta ter alma de poeta, para imaginar mesmo que o mar, é um extenso celeiro de bens guardados e cheiros, por amor de quem são famintos.
Dias de mãos dadas passeando, por entre esquecidos jardins daquelas noites serenas, que regressam com as aves, sempre na Primavera.
Foram meus dias de luz, no livro que vive sentado no meu colo, e que não se aparta de mim.
Mas hoje, estes meus dias são sonho, que guardo para sempre cá dentro, na dor das minhas canções. Eu que canto solidão, e os meus dias são um refrão de vontade de naufragar.
Tantos dias esquecidos, na arte do meu pintar, uma tela da minha vida que em tantas luas se repete!
E hoje assim mergulhada, no marasmo da hora, pois quem me busca a alma, não é por ela que chora…
Somente eu vejo além, outros dias serenos, onde embrulharei a tristeza no grande lenço da aurora!

domingo, 23 de maio de 2010

SAUDADES DE TE TER!....


Tenho saudades tuas mesmo antes de teres partido. É como se um buraco se tivesse aberto no meu peito, no meu coração, a minha pele rasgada e eu já sem lágrimas para te chorar.
Quando não te souber do outro lado do telefone, quando não souber onde dormes, o que vêem os teus olhos, vou perder-me nas nossas memórias, ou melhor vou perder-me dentro de mim.
Tu és a presença mais constante da minha vida.
Tu és o meu Norte. O meu Sul.
Os meus dias de Verão e as noites de Inverno, e sem ti sou apenas uma vaga imagem de quem fui.
O amor tem tantas formas! Mas a dor da ausência tem sempre o mesmo sabor e não é passível de ser descrita.
Não existem palavras para dizer como te amo, porque não consigo recordar um simples momento da vida que não tenha o teu rosto, o teu cheiro.
Os teus olhos estão cheios duma tristeza escondida, por sorrisos mordazes.
Quem vai cuidar de ti? Com quem vais conversar sobre música, política, disto e daquilo e de nada?
Quem vai tomar conta de ti? Quem te beijará e quem se aninhará no teu leito, nem que seja através dum simples telefonema?
Ah! Todas as coisas que não fiz, todas as palavras que não te disse.
E agora?... e agora?
Apenas sei que sempre que fechar os olhos te verei, e todas as noites quando me deitar te sonharei em qualquer sítio, embalada pela mesma lua, pelas mesmas estrelas.
O amor requer sempre a dor, ou é sina minha?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Espera por mim!...


Há momentos em que sinto tanto a tua falta... E quando nesta nostalgia me encontro pego nas memórias que de ti ficaram e choro lagrimas de um sentimento guardado há muito. Nas folhas amarelecidas pelo tempo procuro a ultima carta, as ultimas letras que me escreves-te...

..." Se um dia o nosso amor acabar e se partires sei que nunca mais virei a conhecer alguém como tu, mas que importa se por breves momentos conheci, senti e amei como nunca pensei ser possível. Apesar de agora saber o que é o amor, saber o que é dor de amar e sofrer por ele, sou feliz apesar de tudo, apesar das lagrimas, por tudo o que me deste por todo o teu amor. E se esse dia chegar, não ficarei só, pois comigo guardo as lembranças, os teus beijos, as tuas caricias e as tuas cartas para eu ler e reler".....

O nosso amor não acabou, como tanto receavas...
Um dia partiste... sem dizer adeus...Deixaste-me... Abandonaste-me.
Arrancado da vida num turbilhão sem volta. Numa noite de chuva, numa estrada, quando voltavas para mim...
Se eu soubesse que tudo iria acabar assim... Se eu soubesse que palavras que me disseste horas antes, eram as ultimas, teria-te dito para me levares contigo... Se soubesse que aquele ía ser o nosso ultimo beijo, teria tentado fazê-lo valer por mil... Se soubesse...
Partiste, e contigo levaste as minhas cartas para ler e reler como tanto querias....
Entorpecida pela angustia tambem eu quis partir, tambem quis abandonar o mundo.

Na minha mente em forma de lembranças, em forma de saudade, tranquei o teu sorriso, o brilho dos teus olhos que tantas vezes me disseram Amo-te.

Um dia sei que te vou encontrar... Num lugar alem do sol e do mar, num lugar onde o infinito habita, onde nada nem ninguem te voltara a levar...

Um dia... Espera por mim Amor...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Noite de estrelas e silêncios!...


Mergulho as mão no mar, como se quisesse aprisioná-lo entre meus dedos, como se desejasse fazer dele teu corpo, moldá-lo, senti-lo como se fosses tu.

Escrevo sobre a areia molhada, os versos que te não disse, sentidos reprimidos pela frieza do quotidiano. As ondas quebram as frases, apagam os desejos e arrefecem o corpo, molhado, arrastando para o fundo do oceano as esperanças escritas.

Abandono-me nesta praia deserta, esperando que a maré leve o corpo, pois a alma há muito partiu, quiçá me encontres ainda com a réstia de vida que faz bater o coração e alimentar a mente, mas, o espírito partiu, para uma viagem através dos desertos da eternidade, vales de sombras, florestas geladas, numa travessia da minha própria solidão.

Quando a alma se abre, como vela de um barco à deriva, recolhe em si todas as brisas, todos os ventos, enchendo-se, mas, a cada tempestade o pano cede às forças da natureza rasgando-se em pedaços, perde-se o rumo e o navio perde-se na solidão do vazio.

A Noite, traz com ela as estrelas e o silêncio que lhe permitem adormecer embalado pela suavidade das ondas.

Quem sabe um dia, se descubra a alma deste corpo, que jaz inerte sobre a areia da praia.

Quem sabe um dia alguém seja capaz de lhe devolver a vida perdida...
Quem sabe um dia!...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Estação de saudades...


Há pessoas que viajam na sua saudade, só com um bilhete de ida, e não conseguem voltar, emergir das próprias lembranças para a vida.
Parece que a saudade é uma vila distante, um país que não conseguimos alcançar,mas que insistimos em procurar...
E viajamos por esses caminhos quase sempre sombrios do reviver, do desejar o que já não é mais...o que já não existe...
Se tu sentes que o comboio partiu e ficaste na estação dos desejos, com a mala na mão e um gosto estranho na boca, um estranho sentimento de perda, acredita: está na hora de voltares, embarcar no comboio da vida, que apita apenas uma vez a cada chegada, e te espera para novas viagens, com novas paisagens, novos sentimentos, e quem sabe, um novo amor na vida que recomeça, que se refaz na estação do tempo, que te cobra apenas o desejo de seres feliz!...